História e Brasão
História
Vilar do Pinheiro é uma freguesia do concelho de Vila do Conde, de cuja sede dista cerca de 11 quilómetros. O seu orago é Santa Marinha, cuja festividade, celebrada em meados de julho, mantém uma forte tradição religiosa e popular, destacando-se pela ornamentação, pelas procissões e pelos arraiais.
Esta freguesia, inicialmente denominada de Vilar de Porcos, apresenta origens antigas, com indícios de ocupação humana desde a época pré-romana, associada à cultura castreja, como sucede em grande parte do Noroeste peninsular. A posterior romanização do território deixou marcas na organização do povoamento, estando a origem do topónimo “Vilar” ligada à formação de uma villa ou villar rural, termo usado na Idade Média para designar um pequeno povoado ou exploração agrícola. O velho determinativo de Porcos refere-se à fauna selvática, em particular o porco-bravo, que proliferava especialmente no local onde foi fundado o villar.
A designação de Vilar de Porcos manteve-se até ao século XVI, sendo posteriormente abolida por ser considerada depreciativa para a população. Em 1623, no “Catálogo e História dos Bispos do Porto”, de D. Rodrigo da Cunha, aparece já registada a nova designação, “S. Marinha de Villar de Pinheiro”, adotando o segundo elemento toponímico pela área natural da freguesia.
Foi abadia do convento de Moreira, facto apontado pelo “Dicionário Corográfico”, mas com algumas reservas, uma vez que a Estatística Paroquial aponta como sendo do mosteiro de Vairão. De facto, ainda segundo o mesmo dicionário, metade desta igreja foi doada a Moreira em 1258 por D. Troitosendo Guterres e seu filho Egas Troitosendes. A situação do padroado complica-se, posteriormente, pois aparece o mosteiro de Vairão, além da doação à Sé do Porto, de 1302, por D. Berengária Aires. Consta que em 1528, o abade Diogo Álvares renunciou a favor do mosteiro de Vairão, talvez recebendo este os dízimos e conservando o de Moreira, o padroado. Devido à inclusão em “terra” da Maia na alta Idade Média, a freguesia foi do concelho da Maia até 1870, passando depois para o concelho de Vila do Conde.
Do património cultural e edificado destaca-se a Igreja de Santa Marinha de Vilar do Pinheiro, o cruzeiro, que assinala o centenário da paróquia de Vilar do Pinheiro. Merece ainda referência a fonte das águas férreas, em tempos com propriedades curativas, mas que devido a obras, acabou por perder as suas características.
Vilar do Pinheiro é igualmente berço de figuras ilustres, entre as quais se destacam D. Frei João Moreira, Bispo de Cabo Verde, nascido no lugar da Póvoa a 25 de março de 1688 e falecido a 13 de agosto de 1746; António José Nabiça, conhecido como o “Cego Nabiça”, poeta popular e de comédia do século XIX; e o professor Joaquim Gonçalves Moreira, reconhecido pelo seu notável mérito pedagógico, com resultados de excelência nos exames dos seus alunos.
A nível económico, Vilar do Pinheiro tem-se caracterizado, ao longo do tempo, por uma combinação de práticas tradicionais e dinâmicas mais recentes. Durante muitos anos, a economia local assentou sobretudo na agricultura, aproveitando os solos férteis e a abundância de água, o que permitia o cultivo de produtos destinados ao consumo próprio e ao abastecimento dos mercados locais. Com o crescimento urbano e a proximidade a importantes vias de comunicação, a economia local diversificou-se, destacando-se hoje o comércio, os serviços e algumas atividades industriais.
Brasão

Descrição Heráldica
- Brasão: escudo de verde, cruzeiro de prata entre dois pinheiros arrancados de ouro, com pinhas do mesmo; em chefe, palma de ouro. Coroa mural de prata de três torres. Listel de prata, com a legenda a negro, em maiúsculas: “VILAR DO PINHEIRO”.
